
Não Peguei o Ita (1995)
TEXTO ENCARTE
Este é o 6: disco e a chegada até aqui foi muito gratificante. Apesar do sufoco, muitos corações bateram forte nessa estrada e foram importantíssimos. Esquecê-los, jamais. Walbert Monteiro, Cristóvam Araújo, Jamil Damous, Simon e Lígia Weglinski, Marcos Quinan, Roseli Naves, Liana Soares, Fernando Carvalho, Fernando Merlino, Ricardo França, Rosana Yentas, Graça Almeida, Idan Góes, Luizão, Eudes Fraga, Vital Lima, Marco André, Letícia Carvalho, Nazaré Pereira, Monica Avellar, minha mãe, meu pai, meus irmãos, sobrinhos e sobrinhas, João Gomes, minha filha Mirela, Vanda, João Alfredo, Claudio Guimarães, Ruth e todos os músicos. Obrigado ao Itaoca Belém Hotel, que me deu um cantinho silencioso pra produzir em paz.
Nilson Chaves
FICHA TÉCNICA
Gravação :Alexandre Hang Mixagem Fernando Carvalho / Nilson Chaves / Alexandre Hang
Produção :Musical Nilson Chaves / FernandoCarvalho
Produção Executiva; Nilson Chaves / Rosana Yentas/Ricardo França
Assistente de Produção :Gracinha Almeida.
Capa :João Alfredo Mangia
Fotografias :Janduari Simões
Arranjos :Nilson Chaves / Fernando Carvalho / Fernando Merlino/Jaques Morelenbaum Produção Geral :Rosana Yentas
Produtor Fonográfico :Outros Brasis
Gravado no Drum Studio (RJ) maio/junho de 1993 em 16 canais. Mixado em Digital
Outros Brasis: Passagem Dr. Dionísio Bentes, 153-Bairro do Marco - CEP: 66020-070 - Belém - Pará. Fone (RJ): (021) 234 2332.
FAIXAS
LADO A
Não Peguei o Ita
(Nilson Chaves)
Por sobre a floresta amazônica, o meu destino
de cantador.
Somália, Angola, Brasil, terceiro mundo,
a mesma cor.
Eu penso que o homem exala seu cheiro de chão
se ele é o fruto e a raiz, tem a luz da paixão
e finca o pé qual adubo e o seu coração
procria.
Meu pai tem no riso, um rio de esperança
revelador.
Minha mãe não esconde no olhar desesperança...
revela a dor.
Mas ponho na boca um gosto de cupuaçu,
meu hálito cruza o país de norte a sul
e sinto o prazer de saber que eu sou e o que sou
pro mundo.
Você sabe dançar e cantar o carimbó?
Eu sei!
A baía mais linda que há é a do Guajará,
meu bem.
É gostoso poder navegar,
te cantar e reverenciar
nas esquinas de outra cidade,
nos cantos da vida...
Não peguei o Ita!
Eu trago a coragem na voz, Mestre Lucindo
é cantador.
Mangueiras resistem ao tempo e ao universo
devastador.
O bosque "Rodrigues" não é a Lagoa do Rio,
mas nele a vida habita, engravida no cio.
O índio caboclo semeia segredos de amor,
ainda.
O mundo percebe teu significado,
o teu valor,
respira teu medo e grita o teu perigo
avassalador.
Eu quero poder compreender e viver mais além,
tomar tacacá numa tarde da bela Belém,
viver teu calor, ir à praça e poder cochichar
com a chuva.
Você sabe dançar e cantar o siriá?
Eu sei!
Este aqui não é o Rio de Janeiro, mas é o Rio Guamá,
meu bem.
Vai ter show hoje no Preamar,
tem a feira pra tapiocar.
Vou chegar em São Paulo
e brincar com o velho Bixiga...
Não peguei o Ita!
Minuano
(Eudes Fraga, João Gomes, Marcos Quinan)
Surge nas bandas do sul
Atravessa as serras dos gerais
Rodopia trazendo sinais
Dos trieiros avoram a dançar, então.
O sopro do minuano
É um passarinho sem cor
Tão bonito quanto o beija-flor
Mas não se enxerga o voar
Tal gavião ou condor
Só se escuta o rumor
O sopro do minuano
Mexe as cadeiras do amor
Quando a afoito se dana a voar
Leva na cauda um fogueiro
Quadrilha do buriti
Boi bumbá do urubu
No dia em que ele voar
Pras bandas do norte
Que leve uma prenda
Para o meu amor
Um galho de jequitibá
O som das montanhas
Um sopro de brisa
Para o seu calor
Um botão de rosa
Pra enfeitar uma flor
Um sopro de brisa
Para o seu calor
Surge nas bandas do sul
Atravessa as serras dos gerais
Rodovia trazendo sinais
Dos trieiros se avoram a dançar, então.
No dia em que ele....
Gó
(Jamil Damous, Nilson Chaves)
Luz do sol, ar que respiro
Si bemol que exato retiro
Do violão
O mistério da vida é ainda
Seres tão linda, seres tão linda
E o tempo não passar
Eu te amo, eu te amo e é só
Golpe de karatê, gol de Pelé
Gó
Pura flor, arco-íris, iris
O amor
Resiste à dor da solidão
O mistério da vida é ainda
Seres tão linda, seres tão linda
E o tempo não passar
Eu te amo, eu te amo e é só
Alguém feliz, a voz de Elis
Gó
Violão - Nilson Chaves
Guitarra Base - Fernando Carvalho
Teclados - Fernando Merlino
Baixo- Jacaré
Bateria - Cesar Machado
Percussão - Mapy congas cowbell, gana) Marcos Amma (bongs, espere case)
Voz - Nilson Chaves
Arranjo - Fernando Merlino
Chama
(Nilson Chaves, Vital Lima)
A chama do meu amor clareou a noite
A lua alumiou a nossa paixão
Pra nunca mais ser esquecida
A doce loucura da vida
E anoiteci e anoiteceu saudade
O fogo do meu amor incendiou o dia
E o sonho aqueceu minha solidão
O sonho virando verdade.
O sol acordando a cidade
E amanheci e amanheceu saudade
Quem sabe a gente dá jeito nas dores do mundo
Se a gente tivesse coragem de fazer
Isso em que a gente crê
A começar por nós
Que a gente tende a se esconder
Do fato de nascer depois
E ter ouvido que assim sempre foi
A chama do nosso amor
Queimará pra sempre
Por mais que uma chuva forte
Possa cair
E que os amores profundos
Passam porque isso é do mundo
Mas vão se esconder dentro de uma saudade
Violão - Nilson Chaves
Guitarra Base - Fernando Carvalho
Guitarra Solo - Fernando Carvalho
Teclados - Fernando Merlino
Baixo - Jacaré
Bateria - Cesar Machado
Voz - Nilson Chaves
Arranjo - Fernando Carvalho e Nilson Chaves
Tambor de coro
(Ronaldo Silva)
Pro João Gomes eu mandei um verso antigo
Dizendo poeta é como chama acende
É lamparina no calendário das luzes
Outro azul que me ilumina
No Ver-da-gilva eu vi você saindo
Eu vi você sumindo pro irirí de vez...
De madrugada canta o galo anunciando
Que o dia já vem raiando
E tá na hora de acordar
Parece a força da maré numa reponta
Parece o rasgo da campina do encantado
Parece o cabo da viola pontiando
Na mesma jura aquele anel dedilha o aço
Levanto o macho e vou cantar pra ilha escura
Vou fazer procura, vou fazer bumbá...
Bumbando o norte no capim
Nas água grande
Nas cores
Da violeta que o sol vem alumiar
Eu canto e o meu tambor de couro
Alucina...
Passarinho e homem
(Jamil Damous, Nilson Chaves)
Oh, passarinho
Que eu não sei o nome
Favor me conta tudo o que eu não sei
Me ensina o segredo da beleza
A ciência da leveza e da gravidade além
Oh, passarinho
Que eu não sei o nome
Vem cá, me canta a tua canção
Mata um pouco a minha fome
Que sou só um homem em sua solidão
Sacia um pouco a minha sede
Vem e cai na rede do meu coração
Oh, passarinho
Tu vens de onde?
De uma terra que já sonhei?
Será que um sonho bem lá se esconde
Como se esconde esse que já sonhei?
Oh, passarinho
Eu nem sei teu nome
Mas tu não sabes o meu também
Somos apenas passarinho e homem
Desalentados diante do além
Oh, passarinho
Que eu não sei o nome
Canta de novo a tua canção
Mata um pouco a minha fome
Que sou só um homem em sua solidão
Sacia um pouco a minha sede
Vem e cai na rede do meu coração
LADO B
Tudo manga
(João Gomes, Nilson Chaves)
Sob a chuva da cidade um moleque sai pulando
Short velho encardido, pelas ruas vai correndo
Vai pequeno, vai moleque. Cheio de sonho e virtude
Abre a mão e apara a manga, orgulhoso feito um Conde
Sem querer de tudo manga faz caretas e amiúde
Ao homem que o repreenda e que condene sua atitude
Traz a fome no semblante, seus olhinhos de moleque
Brilham mais que diamante, mesmo assim mostra saúde
Ôoo ôoo Pros homens tá tudo mal
Ôoo ôoo Pra ele tá tudo manga
Ôoo ôoo Pros homens tá tudo mal
Ôoo ôoo Pra ele tá tudo manga
Joga pedra na mangueira, erra e acerta na vidraça
Desembesta na carreira, grita o Pm na praça
Sempre sai pela tangente e escapole da mulher
Vai tocando as campainhas das mansões de Nazaré
Sempre que volta pra casa pula o muro do sobrado
Dá-lhe um tapa no jambeiro e é taxado de atentado
Traz a fome no semblante, seus olhinhos de moleque
Brilham mais que diamante, mesmo assim mostra saúde
Moleque se tu soubesses o quanto eu lembro de mim
Te Vendo de boca suja chupando manga assim
Moleque se tu soubesses o quanto eu lembro de ti
Me vendo de boca suja chupando manga assim
Pai D’égua
(Nilson Chaves)
A graça do Rio tá comigo
Umbigo do meu umbigo
Um pouco do paraíso
No meu leito
A graça do rio faz sentido
Navega no meu sorriso
Bubula um grande amor
No meu peito
Um vôo de emoção
No céu de toda a cidade
O amor é um barco
Pescando felicidade
Mormaço dentro de mim
Verão dentro de você
Um brilho de primavera
No olhar da saudade
O amor é pai d'égua....
Somos pai d'égua… (REFRÃO)
Violão - Nilson Chaves
Guitarra Base - Fernando Carvalho
Teclados - Fernando Merlino
Baixo - Jacaré
Bateria - César Machado
Percussão - Mapyu (cowbell, ganzá, xequeré) Marcos Amma (congas, caxixi)
Voz - Nilson Chaves
Arranjo - Fernando Carvalho e Nilson Chaves
Plebeu me sinto rei
(Flávio Venturini/Murilo Antunes)
E eu me sentindo rei
O mundo inteiro ao redor
Nas malhas desta lei
Mas sou um simples plebeu
Eu sou mais leve que o ar
O mundo inteiro a rodar
Ao meu redor
Mas nada mais importa
Amor à toda prova
Eu amo é pra valer
Você, você
Um dia eu vou embora
Um dia a gente chora
O que não se viveu
Quem sabe é essa hora
Da gente ir-se embora
E tudo esquecer
Me perco nos seus olhos
Naquele seu retrato
O tempo há de dizer
Amei você
Cintila breve canção
Acorda meu coração
Se alguém me perguntar
Que rei sou eu
Eu digo que sou feliz
E sempre assim serei
Plebeu, me sinto rei.
Teclados - Fernando Merlino
Guitarra Solo - Fernando Carvalho
Baixo - Jacaré
Bateria - César Machado
Voz - Nilson Chaves
Arranjo - Fernando Merlino
Alma Menina
(Celso Viafora, Nilson Chaves)
Existe um som de flauta
Fazendo falta em nós
No naipe das violas, uma voz
Mas há também o som
Definitivo som
Passeando sobre os sons
Tom sobre tom
Que num espaço qualquer de tempo
Ainda é música no ar...
Acima do entendimento
Dentro de algum lugar
É música no ar, música no ar
Música no ar, música no ar
É música no ar, música no ar...
Planetas e astronautas
Tudo bóia no céu
E o teto deste céu é um outro céu
Além da imensidão
Onde gravitarão as luzes do som
Que um dia você com o seu instrumento
Tatuou no ar
Com um pouco da própria vida dentro
Pro tempo não levar.
Ilumina, ilumina
Té parece o sol
Ilumina, ilumina
Tua alma menina
Dançando na vida desse carimbó.
Violão - Nilson Chaves
Viola de 12 cordas -Fernando Carvalho
Teclados - Fernando Merlino
Baixo - Jacaré
Bateria - César Machado
Percussão - Mapyu (pote de barro, ganzá, congas) Marcos Amma (caxixi, temple block, ganzá)
Vozes - Nilson Chaves e Vital Lima
Coro - Gracinha Almeida, Vital Lima e Nilson Chaves
Flauta - Roberto Stepheson
Arranjo - Fernando Carvalho
Um bicho nas ruas
(Jamil Damous, Nilson Chaves)
Eu nunca vi um cavalo
Galinha, cabrito, gado
Qualquer outro animal
Nas ruas abandonado
No entanto aí vem um bicho
Andando entre os automóveis
Sem que ninguém o olhe
Nos grandes olhos imóveis
Ninguém lhe dá de comer
Nem o leva a passear
Ninguém lhe lava os pêlos
Ninguém o quer afagar
Como se afaga um cão
Ou se joga milho aos pombos
Tem dois olhos duas mãos
E às vezes no peito um rombo
Tem dois olhos duas mãos
Pode escrever a Ilíada
Pode sentir saudade
Pode ganhar olimpíada
Pode morrer na cruz
Pode até pisar na lua
Dentro dele mora a luz
Igual à minha e à tua
É mais que um mico-leão
Bem maior que uma baleia
Nele habitam o sim e o não
Nele uma luz se ateia
Luz humana que incendeia
Não que ilumina seu sonho
Em mim súbito se ateia
Um sentimento medonho
Sentimento que clareia
Seus grandes olhos imóveis
Terrível dor que passeia
Na noite entre os automóveis
Um bicho nas ruas… (REFRÃO)
Violão - Nilson Chaves
Guitarra Solo - Fernando Carvalho
Teclados - Fernando Merlino
Baixo - Jacaré
Bateria - César Machado
Percussão - Mapyu (temple block, pandeiro e ganzá)
Marcos Amma (zabumba, agogô e ganzá)
Voz - Nilson Chaves
Coro - Leticia Carvalho, Gracinha Almeida, Vital Lima, Nilson Chaves, e Nazaré Pereira
Arranjo - Fernando Carvalho
Moça Bonita
(Juraildes da Cruz)
Moça bonita, veja lá o que vai fazer
Lua de maio te viu deu pra esconder
Depois não diga que o sol quem dera a luz
E a pitangueira já não quer mais florescer.
Moça bonita, quando a chuva cai no chão
Água lavada enxaguada no coração
Depois não diga que o olhar
Quem bela fonte
Derna dontonte tá enchendo o ribeirão.
Moça bonita, este teu sol de inverno
Parece eterno de deixar acostumado
Chuva de verão já é vem no pé de cedro
Ainda me lavo nas águas do seu agrado.
Moça bonita, ninguém peca por amar
A fruta doce tem gosto de travessura
Se arde e queima o sabor desse manjar
É a criação do criador na criatura.
Moça bonita, veja lá o que vai fazer
Pois já não tem lugar que cabe tanto
Se o amor fosse água de beber
Eu já seria um remanso no recanto.
Moça bonita, parece lírio no campo
Bordado branco filha em volta da mesa
Se por ventura me encantar do seu encanto
É a outra parte da arte da natureza.
Violão de Nylon e Aço - Nilson Chaves
Teclados - Fernando Merlino Voz Nilson Chaves
Arranjo - Fernando Merlino
